Mais que uma série sobre donas de casa

Uma típica rua de subúrbio estadunidense e cinco donas de casa podem revelar vidas muito menos pacatas do que se espera. Como disse Susan Delfino (Teri Hatcher) em uma das cenas, Wisteria Lane (Fairview) [tudo ficcional] pode ser muitas coisas, mas não tem nada de chata. Sim, Desperate Housewives é [até hoje, viu?] uma das séries mais populares e de maior audiência dos EUA e nós resolvemos conferir o motivo.

Curte o estilo novela? Está a fim de rir e chorar? Então, dá uma olhada porque aqui tem drama e comédia de sobra pra você – com uma pitada de crítica à vida suburbana.

>> CHAMADA

Uma dona de casa – que parecia ser uma esposa e mãe perfeita – se matou e ninguém sabe o motivo. Nem mesmo as amigas mais chegadas… É assim que tudo começa.

Quem não ia querer descobrir os segredos de Mary Alice Young (Brenda Strong)? Aliás, ela assume a voz de narradora da série, ou seja, mesmo depois que sua história é revelada, ela continua meio “onipresente”.

Então, nota 10 para a capacidade de prender os espectadores até terminar o último episódio da temporada final.

>> ABERTURA

Até agora estou tentando entender o que é aquela referência ao Adão e Eva bíblicos, a salada de momentos artísticos/sociais e, de fundo, uma música natalina nada a ver [e olha que ganhou prêmio viu? o.O]. Para finalizar, pipocam os rostos das personagens principais em uma montagem/colagem bem no estilo… Sexta série. Um fiasco, com certeza.

>> ELENCO E PERSONAGENS

As “desesperadas” são: Susan Delfino, Bree Van de Kamp (Marcia Cross), Lynette Scavo (Felicity Huffman) e Gabrielle Solis (Eva Longoria). Maaaas, o elenco é grande [diz a lenda que houve mais de 30 atores regulares no decorrer das temporadas]… Então, não podemos deixar de considerar Karen Mccluskey (Kathryn Joosten), Edie Britt (Nicollette Sheridan), Katherine Mayfair (Dana Delany), Angie Bolen (Drea de Matteo) e Renée Perry (Vanessa Lynn Williams), além da nem tão representativa Betty Applewhite (Alfre Woodard) e a já mencionada Mary Alice Young.

Todas essas mulheres estão, de alguma maneira conectadas… Têm segredos, relacionamentos conturbados, problemas na/com a família, abdicam da carreira pelos filhos, enfrentam problemas no casamento, fazem e desfazem amizades, apresentam histórias de superação, são suspeitas de crimes e até vencem doenças terríveis, como o câncer. Tudo isso juntas, sustentando-se umas nas outras. É uma perspectiva interessante sobre amizade e uma forma bacana de discutir vários temas do nosso cotidiano.

É claro que sempre têm aqueles personagens que se tornam nossos preferidos e pelos quais torcemos ou os que ganham a nossa simpatia porque provocam/permitem que nos identifiquemos de algum modo. Há também os que não gostamos de graça, os que fazem besteira e ficamos ansiosos por sua recuperação… Enfim, tem isso tudo e mais um pouco em Wisteria Lane. A construção dos personagens é bastante sólida e se mantém do início ao fim – explorando com maior ênfase uma característica aqui e outra ali tanto dos principais quanto dos coadjuvantes.

>> TRAMA

Depois que o “mistério do suicídio de Mary Alice” é solucionado e perde um pouco de força, os produtores acabam criando um “sistema” que se repete ao longo das temporadas (mais ou menos da terceira em diante). Há um acontecimento dramático – que pode ser um episódio de grande conflito, uma catástrofe particular, uma grande traição, uma chantagem daquelas, um homicídio, um acidente estranho, um desastre natural, etc. – que envolve todo o elenco (ou grande parte dele). Esses “eventos” costumam acontecer no meio da temporada e causam um tremendo auê até as coisas se acertarem, o que nos mantém interessados, envolvidos e não deixa a trama cair na mesmice, pois há sempre um fato novo, que bagunça tudo e serve de estopim para uma grande confusão.

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>> COERÊNCIA

Contudo, esses pequenos plots devem ter dificultado a vida dos roteiristas porque, meu Deus, como essa série peca no quesito coerência! É filho que aparece e some, como se nunca tivesse existido, personagem que passa séculos sem aparecer após um mega conflito em que estava envolvido – o que nos deixa roendo as runhas, é claro -, pequenas decisões, falas, comentários que não se encaixam no restante da história ou que são ignoradas do nada… Enfim, há momentos em que eles não dão conta de todos os núcleos narrativos e fazem caquinha.

>> FOTOGRAFIA

A série é um tanto “antiga” (se pensarmos que esteve no ar de 2004 a 2012) no que diz respeito à tecnologia e recursos de filmagem. Talvez isso explique a ambientação “limitada”… Os cenários são basicamente os mesmos: a rua e as casas dos vizinhos de Wisteria Lane. Cenas em shoppings, consultórios, supermercados, restaurantes até existem, mas, não são tão frequentes. Ainda assim, fizeram um trabalho incrível no uso de cores bem vivas e no figurino. Aliás, dá até para notar uma boa evolução no decorrer das temporadas. Ahhh e não posso negar que há um ar de “comercial de margarina” na estética em geral. Se eu me senti no subúrbio norte-americano? Pode apostar que sim.

Imagem relacionada

>> FINAL (SPOILER WARNING)

Encerrar uma série nunca é fácil, ainda mais quando deixam pontas soltas ao longo de todas as temporadas (a tal incoerência que mencionei). Como era de se esperar, senti falta de alguns fechamentos e fiquei brava com algumas escolhas – aviso que tem morte de personagem querido  #prontofalei. Maaaas… Devo dizer que a solução encontrada para encerrar a narrativa foi interessante e até deixou brecha para, um dia, se alguém se interessar, retomar de onde parou. Verdade seja dita, ficou um bocado “fim de novela da Globo”, ao estilo happy ending, casais e famílias felizes, mas, faz parte.

Imagem relacionadaCriação: Marc Cherry

Distribuição: ABC Studios

Gênero: Comédia Dramática

Origem: Estados Unidos

Status: Encerrada (2004-2012)

Temporadas: 8

Episódios: 180

Prêmios: Melhor Série – Arte Diretoria Guild (2004); Melhor Série e Atriz em Série de Comédia ou Musical – Globo de Ouro (2004); Melhor Atriz, Elenco, Direção, Atriz Convidada, Tema Musical e Edição de Imagem em Série de Comédia – Emmy Awards (2005); Favorito Novo Drama de TV – People’s Choice Awards (2005); Melhor Série de TV Internacional – TV Quick and Choice Awards (2007), além de mais um monte de prêmios e indicações.

Stars: 3,5

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