A Bela e a Fera encanta outra vez

Desde o anúncio da Disney de que faria uma versão em live-action de mais uma de suas animações clássicas, o público foi à loucura. O clima de ansiedade atingiu níveis épicos quando soubemos que seria o queridinho A Bela e a Fera, que chegou a concorrer na categoria de Melhor Filme do Oscar (1992) e ganhou vários prêmios. A cada detalhe de divulgação, os fãs criavam inúmeras expectativas. Afinal, seria esta uma perspectiva fiel à animação (como Mogli, 2016), uma mudança estética significativa (como Cinderella, 2015) ou uma reinterpretação de personagens (como Malévola, 2014)?

Logo descobrimos que o live-action se aproximaria e muito da produção animada. A escolha de Emma Watson para o papel de Bela já denunciava isso, afinal, suas características físicas combinam perfeitamente com a “moça do interior” do desenho. Sem falar na atriz, como pessoa, que tem tomado a frente em discussões sobre os direitos das mulheres – mostrando-se tão corajosa, determinada e “diferentona” quanto a personagem. Assim que os trailers foram lançados, começaram a surgir comparações entre as duas versões, apontando quão gritante seria a semelhança entre elas.

Apesar dessa semelhança inquestionável, a história também foi ampliada (45 minutos de cenas extras). Um dos pontos soltos na animação era, por exemplo, o porquê do príncipe ter sido transformado em Fera e seus empregados terem participado do feitiço. No live-action esses aspectos ficaram mais claros. E o motivo da morte da mãe de Bela, quando ela era ainda um bebezinho? De certa forma, a explicação nos faz entender melhor a ligação especial entre o pai e a moça. Há também quatro canções inéditas. Se eu pudesse sugerir algo nesse sentido… Diria que poderiam ter aproveitado alguns desses minutinhos para trabalhar melhor o processo de crescimento do amor entre a Bela e a Fera.

Falando em fotografia, ambientação e figurino… Tudo de parabéns. Naquela sequência em que a Bela aparece pela primeira vez, na aldeia, os olhos chegam a brilhar de tão lindo. E aquele sonho de vestido amarelo do baile? Simplesmente perfeito. Puro luxo!!! Confesso que não me fez lembrar no filme de 1991, mas de Hermione (Emma Watson) vestida encantadoramente para o baile em Harry Potter e o Cálice de Fogo. O que me incomodou foi que, em alguns momentos, faltou iluminação. Entendo que a proposta deve ter sido deixar o castelo da Fera com um ar sombrio, mas, isso acabou tirando a magia de algumas cenas, como a da biblioteca, por exemplo. Mal conseguimos enxergar os livros, o que inibe o impacto.

Como podem ver, para colocar defeito temos que procurar pelo em ovo. Então… ao meu ver, quem se perdeu um pouco nisso tudo foi a Fera. A caracterização ficou impecável, tanto que é difícil reconhecer o ator Dan Stevens. Contudo, também não é fácil reconhecer o monstro que nos foi apresentado no início dos anos 1990. A sua maldade e rudeza não ficaram muito claras após a transformação (apenas nas cenas iniciais do príncipe) e o personagem acabou sendo meio apagado. Na animação, a Fera tinha mais presença, digamos assim, o que nos fazia torcer mais pelo relacionamento do casal. Ahhh, e preciso dizer, durante a canção que expressa toda a dor que sente no momento da partida de sua amada, os movimentos faciais da Fera ficaram SUPER artificiais.

Imagem relacionada

Muitos criticaram o fato que mencionamos a respeito de essa versão de 2017 ser bem parecida com a de 1991 – em certos momentos, diálogos inteiros foram reprisados e cenas foram reproduzidas quase exatamente. Por um lado, eu entendo essa “decepção”. A animação alcançou um nível de qualidade muito alto, tanto que foi a primeira a disputar a estatueta de Melhor Filme (quando ainda não havia uma categoria específica no Oscar para o gênero). Todo o trabalho de roteiro, construção da narrativa, caracterização dos personagens… Foi excelente, na época. E sempre que tentamos recriar algo assim, precisamos nos superar – correndo um baita risco de que nada seja suficiente. Como dizem, não se mexe em time que está ganhando.

Entretanto, o grau de familiaridade com a primeira adaptação também nos possibilita sentir aquele gostinho bom do que é conhecido. Nos apaixonamos pelo amor dos dois uma vez e o live-action nos permite sentir essa paixão novamente. Agora, com outros detalhes e maior capacidade de identificação… Afinal, uma coisa é assistir a um desenho, outra é ver a história se materializar na pele de pessoas reais. Esse elemento acaba por potencializar as boas vibrações da memória afetiva que guardamos ao longo de todos esses anos.

A Bela e a Fera é um filme mágico, que faz o coração bater mais rápido com o trabalho impecável na trilha sonora, que nos encanta a cada desenvolvimento das cenas e ainda nos oferece certo frescor pelas novidades (ainda que pequenas). É delicado e, ao mesmo tempo, impactante. É reflexivo de um jeito doce e natural. Para quem acha que a Disney ficou presa ao passado, engana-se. Na minha opinião, o estúdio soube nos reconquistar com a dose certa de familiaridade e inovação.

Resultado de imagem para a bela e a fera 2017 cartaz

Título original: Beauty and the Beast

Gênero: Fantasia / Musical

Lançamento: 2017

Direção: Bill Condon

Produção: David Hoberman, Don Hahn e outros

Produtoras: Walt Disney Pictures e Mandeville Films

Distribuidora: Walt Disney Studios Motion Pictures

Adaptação de: Beauty and the Beast (1991), de Linda Woolverton e A Bela e a Fera (1756), de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont

Stars: 4,5

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s