Toda mãe é uma peça

Mãe é mãe. Umas gritam mais, outra menos. Umas são mais protetoras, outras menos. Umas gostam de ser o centro das atenções, outras preferem que os filhos o sejam. Elas têm um milhão de coisas em comum, ainda que as apresentem em graus diferentes. Por isso, o estereótipo criado pelo humorista Paulo Gustavo (inspirado na própria mãe, diga-se de passagem) só podia se encaixar muito bem e render boas gargalhadas dos espectadores.

Cheguei ao cinema pronta para me divertir. Não sou muito fã de cinema nacional [me julguem], pois acho que há uma quantidade sem tamanho de vulgaridade e palavrões. E, verdade seja dita, Dona Hermínia (interpretada por Paulo Gustavo) não tem a boca mais limpa do mundo, mas não chega a incomodar. Na verdade, ela nos diverte tanto, enquanto nos faz pensar sobre as relações familiares, que acaba merecendo nosso perdão pelas escorregadas.

Logo de cara, eu pensei: onde foram parar os bobes no cabelo e os vestidos floridos? Bom, o nível social subiu por lá… Agora Hermínia é uma apresentadora de TV bem-sucedida e rica. Já era de se esperar, afinal, qual mãe não adoraria assistir um programa que tratasse da realidade dela, ainda mais no comando de alguém com quem pudesse se identificar. Só podia ser um sucesso mesmo. Não sei como a Globo não pensou em emplacar essa ideia na vida real também [risos].

Diante dessa condição de mãe multitarefas, que trabalha fora e tudo mais, cheguei a acreditar que seria um repeteco de outra franquia da Globo Filmes, De pernas pro ar (2010; 2012). Ainda bem que tiveram criatividade e levaram a trama para outro lugar. O ponto central, ao meu ver, é a tal síndrome do ninho vazio, pela qual muuuuuitas mães passam em algum momento da vida, quando os filhotes resolvem sair de casa. Marcelina (Mariana Xavier) decide seguir carreira de atriz em São Paulo e Juliano (Rodrigo Pandolfo) vai no embalo da irmã para tentar a sorte em cargos administrativos. Era de se esperar que essa saída não seria das mais fáceis.

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Os outros personagens do filme anterior ficam um pouco apagadinhos, como Carlos Alberto (Herson Capri) e Iesa (Alexandra Richter). Estranhamente, isso também acaba acontecendo com os que apareceram para dar uma refrescada. O neto “anjinho” (filho de Garib, o mais velho) faz uma breve visita e quase deixa a avó maluca – típico: enquanto estão longe, são uns amores, mas quando estão por perto, destroem tudo o que veem pela frente [risos]. Ele aparece por cinco segundos e depois, praticamente, não é mencionado. Hermínia também é quase obrigada a receber a irmã, Lucia Helena (Patricya Travassos), que mora em Nova York há muitos anos e é considerada a ovelha negra da família. Essa até que aparece em algumas cenas, mas nada tão significativo.

Dizem que o tom desaforado e superprotetor de Hermínia se repetiu muito, embora não tenha perdido a graça. Minha explicação para isso? Convenhamos, qual mãe não é repetitiva à beça? [que elas não leiam isso!!] Aliás, vale chamar a atenção para a naturalidade com a qual Paulo Gustavo desempenha esse papel. Ele realmente se torna a personagem… A mãe dele, a minha mãe e a sua. Não vou negar que o vejo um pouco como “ator de um personagem só”, pois sempre enxergo os mesmos traços em cada atuação do humorista, meio como Jennifer Aniston, sabe? Porém, não posso negar que ele tem muito carisma e atua de um jeito espontâneo, super importante para gerar identificação.

Não é à toa que o primeiro filme da franquia levou cerca de 4,6 milhões de espectadores aos cinemas em 2013, tornando-se o maior sucesso nacional daquele ano. E, dessa vez, não foi diferente. Minha mãe é uma pena 2ultrapassou o recorde de arrecadação de Os Dez Mandamentos (2015), o público do longa atingiu quase 9 milhões e é considerado o terceiro filme nacional mais assistido das últimas décadas, perdendo apenas para o referido épico religioso e para Tropa de Elite 2 (2010). Diante desses números, será que haverá continuação? Não dá para saber, mas se depender do resultado da bilheteria, há grandes chances.

Para fechar… Preciso dizer que houve alguns pontos soltos no enredo, até meio forçados, como os sinais de Alzheimer e a despedida da tia Zélia (Suely Franco). No fim das contas, se querem mesmo saber, embora a qualidade técnica tenha melhorado do primeiro longa para o segundo, não podemos mentir, esta não se enquadra em uma super produção. É um filme daqueles que chamamos de “pipoca”, pra assistir com a família e descontrair. Não há nada de errado nisso. Vamos ao cinema, de preferência ao lado da mãe, para poder ficar trocando os famigerados toques de “Viu só? Igualzinho a você!!!” e nada mais. Não vamos nos desgastar discutindo a trama, a fotografia e tudo mais. Na minha humilde opinião, a franquia Minha mãe é uma peça foi feita para curtir e ponto.

Resultado de imagem para minha mãe é uma peça 2 capa

Gênero: Comédia

Lançamento: 2016

Direção: César Rodrigues

Produção: Iafa Britz e Camila Medina

Roteiro: Paulo Gustavo e Fil Braz

Produtoras: Globo Filmes, Migdal Filmes e Universal Pictures

Sequência de: Minha mãe é uma peça – O filme (2013)

Distribuidora: Downtown Filmes

Stars: 4

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