Entrevista com Ana Rapha Nunes

Realizar o sonho de infância não é para qualquer um. Ainda mais quando a vida já ganhou novos rumos e está bem encaminhada. Contudo, nada disso impediu Ana Rapha Nunes, 35, de se tornar escritora. O desejo de compartilhar histórias por meio das palavras falou mais lato e, hoje, somos agraciados com suas obras de muita qualidade e carinho.

Ela também é professora de Língua Portuguesa e carioca da gema. Mudou-se para Curitiba (PR) ainda pequena e continua por lá até hoje. Além das infinitas ideias, sempre em movimento, Ana já publicou dois romances: A Lua que eu te dei (2015, Editora Appris) e Mariana (2016, Editora InVerso) – confira a resenha aqui.

Quer saber mais sobre a autora? Espie as perguntinhas abaixo!

>> COMO E QUANDO SURGIU O DESEJO DE SER ESCRITORA?

Desde pequena tinha esse desejo, cheguei a ganhar dos meus pais uma máquina de escrever quando eu tinha uns oito anos. Mas o tempo passou e, às vezes, vamos deixando os sonhos de infância de lado. Sempre escrevia uma crônica ou um conto, mas nunca mais pensei em publicar, até chegar 2011, quando decidi que escreveria um livro, mas o projeto foi sendo adiado. Finalmente, em dezembro de 2014, eu decidi que iria escrever e publicar um livro, levando a sério esse sonho e conseguindo concretizá-lo.

>> VOCÊ TEM UMA ROTINA DE ESCRITA, ISTO É, ESTÁ COM AS IDEIAS SEMPRE EM MOVIMENTO OU SE PROPÕE A ESCREVER CONFORME A IDEIA SURGE?

Estou sempre com ideias, anoto todas. Brinco que tenho mais de 100 livros para escrever por enquanto (risos). Todavia, há momentos em que uma dessas ideias toma conta de mim e logo tenho que escrevê-la até finalizar o projeto. A minha maior dificuldade é o tempo, pois não posso só me dedicar à escrita, então, muitas vezes, escrevo em um ritmo mais lento do que eu gostaria.

>> COMO FOI O PROCESSO ATÉ A PUBLICAÇÃO DE SEU PRIMEIRO LIVRO (DESDE A IDEIA, A PROCURA POR EDITORAS, ETC)? ENFRENTOU OS MESMOS DESAFIOS NA SEGUNDA PUBLICAÇÃO?

O primeiro livro que eu escrevi ainda não foi publicado, tive alguns percalços no caminho. Assim, acabei publicando primeiramente o segundo livro que escrevi. Chama-se A Lua que eu te dei.  A ideia surgiu em uma noite de Lua cheia, pensei em escrever algo que envolvesse a Lua, já que ela é sempre envolta em muita magia. Depois comecei a procurar editoras até que encontrei a Appris, pela qual o livro saiu em novembro de 2015.
O segundo livro, Mariana, surgiu no dia após o lançamento de A Lua. A publicação ocorreu de forma mais tranquila, pois já conhecia mais pessoas e elas também já estavam começando a conhecer o meu trabalho.

>> MARIANA É, DE CERTA MANEIRA, UMA HOMENAGEM AO POVO MINEIRO E AO QUE SOFRERAM NAQUELA TRAGÉDIA AMBIENTAL. POR QUE ESCOLHEU ESSE TEMA?

A tragédia aconteceu um dia após o lançamento do meu primeiro livro. Estava vivenciando um momento muito feliz e veio aquele mar de lama, aquela catástrofe que poderia ter sido evitada. Eu precisava falar disso, então Mariana surgiu. Não podia deixar esse assunto morrer, é algo sobre o qual precisamos refletir.

>> ERA SUA INTENÇÃO QUE O LIVRO FOSSE UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA EM MEIO AO DESASTRE? SE SIM, COMO FOI A CONSTRUÇÃO DO ENREDO E DOS PERSONAGENS PARA QUE ATINGISSE ESSE RESULTADO?

Como o meu público é, em maioria, infantojuvenil, queria falar da tragédia, mas de uma forma apropriada, quis fazer uma mensagem de esperança e de superação. Primeiramente, veio a ideia de fazer uma menina chamada Mariana, a qual passaria pela tragédia e levaria essa mensagem aos leitores a partir de tudo que ele vivenciou. Aos poucos, foram surgindo as histórias secundárias. O mais difícil foi colocar algumas situações que realmente aconteceram, pois mexe demais com a nossa emoção na hora de transpor aquilo tudo para o papel, saber que tantas vidas foram perdidas e outras tantas prejudicadas com isso tudo.

>> O SEU FOCO É A LITERATURA INFANTOJUVENIL OU TEM PLANOS DE ESCREVER PARA OUTROS PÚBLICOS?

O meu foco é este sim, até mesmo por eu ser professora voltada para essa garotada e saber da importância dos livros na formação das pessoas. É muito mais fácil formar leitores na infância e na adolescência. No entanto, também escrevo crônicas e contos para todas as idades, tenho alguns deles publicados em coletâneas.

>> QUAIS OS SEUS PRINCIPAIS OBJETIVOS COMO ESCRITORA?

Meu maior objetivo é conseguir formar leitores, ver pessoas se interessando pela literatura, pois essa tem um papel muito importante para todos nós. A literatura mexe com as nossas emoções, nos faz pensar, nos faz ter empatia por situações diferentes da nossa. Além disso, aprendemos muito por meio dela, pois é uma viagem sem sair do lugar.

>> PODERIA CITAR UM LIVRO E UM AUTOR FAVORITO?

Tem tantos, mas um que amo é Grande sertão veredas do Guimarães Rosa. Já pensando em literatura infantojuvenil não poderia deixar de citar As reinações de Narizinho do Monteiro Lobato.

>> SE PUDESSE DESTACAR UMA CITAÇÃO QUE TE DEFINE COMO PESSOA E/OU ESCRITORA, QUAL SERIA?

“Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos” (Shakespeare)

>> JÁ TEM ALGUMA OBRA EM PROCESSO DE PRODUÇÃO? SE SIM, PODERIA NOS DAR ALGUMAS PISTAS DO QUE VIRIA A SER?

Sim, tenho sim. Estou, no momento, finalizando uma história que mostra o vício em games. Acredito que muitos garotos possam vir a se identificar.

 

É isso, pessoal. Se quiserem ficar por dentro das novidades dessa autora nacional tão querida, podem acompanhá-la pelas redes sociais (Facebook e Instagram).

 

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