Desventuras… Em série, na Netflix

Três irmãos que ficam órfãos após um incêndio “acidental” na mansão da família. Um “parente distante”, pra lá de estranho, que só pensa em colocar as mãos na herança das crianças e, por isso, assume a tutoria delas. Uma série de eventos estranhos, absurdos, contraditórios, tristes. E, claro, todo mundo não parava de falar no lançamento dessa produção original da Netflix – uma adaptação da obra de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler). Então, fomos correndo conferir.

Primeiro, preciso dizer que infelizmente não li os livros AINDA. Mas assisti à produção cinematográfica – trailer aqui – (baseada nas três primeiras obras da série), distribuída pela Paramount Pictures e pela DreamWorks SKG, sob direção de Brad Silberling, lançada em 2004 nos Estados Unidos e em 2005 no Brasil. Só posso dizer que Jim Carrey é incrível sempre e tem o dom de fazer cada um de seus personagens brilharem totalmente. Não foi diferente na interpretação do Conde Olaf (o tal tio sombrio). Por isso, eu sabia que seria complicado “superar” essa imagem.

maxresdefaultO escolhido para esse papel foi ninguém mais ninguém menos do que Neil Patrick Harris, o queridinho de How I Met Your Mother [que, aliás, eu nunca assisti, me julguem]. Quanto aos irmãos Baudelaire, confesso que notei de cara a semelhança entre os atores selecionados para a série de televisão e os do longa-metragem mencionado: Violet (Malina Weissman), 14, Klaus (Louis Hynes), 12, e Sunny (Presley Smith), um bebê super fofo. Se compararem as imagens, aposto que concordarão comigo!

Vale mencionar que a série literária de Snicket / Handler, também chamada de Desventuras em Série (título traduzido), foi publicada entre 1999 e 2006, num total de 13 volumes. Mais de 65 milhões de cópias já foram vendidas e os textos circulam em 43 línguas diferentes. No Brasil, a editora Cia. das Letras é a responsável pela publicação e detentora dos direitos. Na primeira temporada da série, a base são os quatro primeiros livros, de forma que cada um é contemplado a cada dois episódios. Uma segunda temporada (de 10 episódios) já foi confirmada pelo autor das obras.

Assista o trailer (abaixo) e depois continue a leitura #ficaadica

Bom, agora que tiveram a chance de ter um gostinho de como ficou a produção… Posso dizer que prefiro Jim Carrey mil vezes. E digo mais, penso que forçaram muito a presença de Harris só porque… Porque ele é o Neil Patrick Harris. O foco parece estar no Conde Olaf quando, ao meu ver, ele é a fagulha que alimenta as desventuras dos Baudelaire. Ele é importante, claro que é, mas não faz sentido que as cenas dele sejam imensas enquanto que o resto seja tratado como material coadjuvante, simples adendos. Os protagonistas deveriam ser os irmãos, não o Conde.

entretenimento-netflix-desventuras-em-serie-20170111-08-copyLogo no início do primeiro episódio, achei o máximo o jogo que fizeram com a ideia de que “você não deve assistir essa série”, pedindo para desviarmos o olhar e/ou pararmos de assistir, pois a história não seria nada feliz. Essa parte, aliás, é anunciada pelo narrador, o qual será muito presente ao longo da temporada. Para quem não sabe, essa narração é feita pelo próprio Lemony Snicket, que é interpretado por Patrick Warburton. Ele é tão participativo que chega ao ponto de romper a “quarta parede”, de modo que conversa conosco, apresenta opiniões e até oferece algumas explicações.

Ainda não sei se gosto dessa participação. É diferente e os “comentários” são bem espirituosos… Até engraçados, às vezes – um humor bem ácido, aliás. Contudo, sinto que isso também prejudica um pouco na fluidez do conteúdo.

Teve gente dizendo que a série ficou infantil. Bom, não vejo isso como um problema, considerando que os livros estão nessa categoria. Também é válido ressaltar que a construção dos personagens, a trama… Cada detalhe nos leva ao infortúnio, às contradições, aos problemas da vida. A lei de Murphy tem muito a ver com as Desventuras… Tudo que poderia dar errado, dá errado… E mais um pouco também. Há raríssimos momentos em que pensamos “ahhh, agora eles ficarão bem”. Estamos sempre esperando a próxima desgraça.

No fim das contas, o maior “problema” de Desventuras em Série é o ritmo. Noooooossa, como é parada! Há trocadilhos, mistérios, reviravoltas e uma pitada de humor… Mas, ainda assim, a coisa não deixa de ser arrastada. Imagino que deve ter a ver com os próprios livros, pois o filme também apresenta uma quebra de paradigmas nesse mesmo sentido. Então, talvez só devesse ser menos didática [a palavra X quer dizer Y – all the time!!!!], ter menos a presença do narrador e focalizar nas crianças, não no Conde Olaf. Já os cenários, o figurino, a maquiagem, toda a fotografia está de parabéns. Apesar de eu achar que a referência da produção cinematográfica acabou pesando e a série ficou parecendo um “clone ruim”.

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Título original: A series of unforturnate events

Criação: Mark Hudis

Produção: Paramount Television / Netflix

Produtores: Daniel Handler / Barry Sonnenfeld (diretor)

Distribuição: Netflix

Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

Origem: Estados Unidos

Adaptação de: Série literária “A series of unfortunate events” (13 volumes), de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler)

Status: Em andamento (renovada para 2018)

Duração: 2017-

Temporadas: 1

Episódios: 8

Stars: em análise

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