Quando os donos saem…

A bicharada faz a festa!!!

Vivemos dizendo isso, mas acredito que ninguém parou realmente para pensar em trapalhadas nas quais os nossos animais de estimação poderiam se meter, enquanto estamos fora. Foi essa maluquice que passou pela cabeça dos roteiristas, diretores e produtores do longa: Pets – A vida secreta dos bichos, que está dando o que falar.

Confesso que quando assisti ao trailer, fiquei super empolgada para o lançamento nos cinemas. Parecia espirituoso, além de engraçado. Em um prédio de Manhattan (New York), foi possível ver cenas super familiares a quem tem bichinhos em casa, retratando o momento da despedida – seja para o trabalho ou para a escola. E, logo de cara, fomos apresentados aos principais integrantes da turminha do condomínio: Max, Gidget, Buddy, Chloe, Mel e Pirulito.

O problema, para mim, foi que o trailer mostrou demais. As imagens mais divertidas (Buddy se massageando na batedeira; Chloe se empanturrando na geladeira; Pirulito jogando videogame; etc.) já tinham sido reveladas. Então, quando assistimos ao filme, de fato, já não tem mais tanta graça. Entendo que foi essencial para a divulgação e para “fisgar” pessoas como eu (que também morreram de rir e foram correndo assistir o resto nas telonas), maaaaaas, acabou me decepcionando.

Em termos de roteiro, também não fiquei muito satisfeita. Tudo bem que estou com as super referências deste ano: Zootopia e Procurando Dory (que foram MARAVILHOSOS)… Ainda assim, achei que os pets passaram muito mais tempo correndo de um lado para o outro, quase nos guiando em um tour pela Big Apple, do que nos conquistando com uma história de verdade. Não esperava isso da Illumination Entertainment, afinal, é a produtora de Minions (2015) e Meu Malvado Favorito (2010 e 2013), que eu ameeeeei.

[SPOILER WARNING]

Se for para dizer algo positivo nesse quesito (roteiro), poderia dizer [depois de revisar minhas impressões minuciosamente para, finalmente, achar algo significativo] que o desenrolar do relacionamento entre Max e Duke (o vira-lata espalhafatoso – para dizer o mínimo – que chegou “para estragar tudo”) nos incita a pensar no quanto é importante nos unirmos em nossas diferenças; A força e a determinação de Gidget condizem com a discussão bastante atual sobre o empoderamento feminino; O desgosto e ódio do exército de animais abandonados que Bola de Neve recrutou para se vingar dos humanos mostra o lado daqueles que são oprimidos, excluídos ou rejeitados e o quanto isso amarga a vida deles.

Apesar dessas pinceladas de reflexão, a trama não deixa de ser fragmentada e sem aprofundamentos. Mesmo que tenham tentado dar a impressão de que há ritmo e ação, é só pensar um tiquinho para notar que o passeio turístico não nos faz sair muito do lugar (em termos de construção narrativa). Tudo é linear e superficial. Além disso, essa “aventura” está ancorada em um tema pra lá de batido: o resgate do cãozinho perdido.

Iiih… Calma, minha gente, não vou só criticar né? [se bem que eu poderia] Não posso deixar de mencionar que a fotografia é de tirar o fôlego, ainda que mantenha traços um tanto infantis e “fofinhos”. Nesse sentido, a fascinação da produtora pelo deslocamento constante em seus filmes (podemos notar isso nas outras animações mencionadas, por exemplo) acaba sendo um ponto alto, pois se preocupa em fazer as imagens brilharem.

Já a trilha sonora do francês Alexandre Desplat nos faz “dançar na poltrona”. Temos Welcome To New York – Taylor Swift (2014), You’re My Best Friend – Queen (1976), Happy – Pharrell Williams (2013), que foi criada especialmente para o filme Meu Malvado Favorito 2, entre outras. Inclusive, essa última faixa chegou a ser indicada ao Oscar de “Melhor Canção Original” e, talvez por isso, a Illumination tenha resgatado um de seus acertos anteriores.

No fim das contas, a ideia de que nossos animais de estimação usam os utensílios de cozinha, dão festinhas, bombam vídeos no “Youtube” e se divertem juntos enquanto os humanos estão fora (mas depois colocam tudinho no lugar, é claro) não deixa de ser bacana. É uma forma de dar asas à imaginação, explorando uma situação que é totalmente cotidiana. Além do mais, é uma aposta de sucesso, já que as pessoas estão cada vez mais loucas por bichinhos e tratando-os cada vez mais como membros da família. Ou seja, dá para rir um pouco e dançar com a trilha sonora… Só falta mesmo é uma história que nos marque e nos faça lembrar do filme depois.

Resultado de imagem

Título original: The Secret Life of Pets

Gênero: Animação/Comédia

Lançamento: 2016 (Brasil)

Direção: Yarrow Cheney e Chris Renaud

Produção: Chris Meledandri e Janet Healy

Produtora: Illumination Entertainment

Distribuidora: Universal Pictures

Stars: 3

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