Nadando em busca da família

dory-1140x570O melhor filme que assisti esse ano [me julguem]. É cheio de fofura, mas também trata de questões sérias. É didático e divertido ao mesmo tempo. Conversa com Procurando Nemo de um jeito que nos deixa confortáveis, com aquela sensação de “estou em casa”, mas sem deixar de surpreender. Posso ir ao cinema de novo???

Embora o primeiro filme sobre o fundo do mar tenha sido muito aclamado pela crítica, eu não me encantei tanto com as aventuras e trapalhadas para encontrar o Nemo [podem me julgar de novo]. Talvez fosse nova demais para me dar conta dos avanços em termos de imagem bem como apreciar um roteiro “original”, mas realmente não me impressionou como aos outros. Aliás, estar nas profundezas do oceano foi um dos fatores que mais me incomodou [maluquices à parte].

Ainda assim, quando fiquei sabendo que, após longos 13 anos, teríamos uma continuação, fiquei animada. A Dory, com certeza, foi o personagem que eu mais gostei (apesar de, infelizmente, ser mais parecida com o Marlin) e estava ansiosa para ver como eles fariam essa mudança de foco ser familiar e criativa, simultaneamente. Então, surgiu aquela discussão sobre “primeiro casal gay em um filme de animação da Disney” e um monte de gente querendo boicotar, deixar de levar os filhos. Por favor, menos né? As moças aparecem em uma fração de segundo, mal dá pra notar e, convenhamos, essa é a realidade, independente se achamos certo, normal ou qualquer coisa do tipo… Não é o fim do mundo aparecer nas telonas.

[SPOILER WARNING]

A mudança em relação à produção “original” aparece logo no início do filme: yes baby, teremos flashbacks. Vemos aquela peixinha blue tang, junto com os pais, aprendendo a lidar com sua famigerada perda de memória recente e quase morremos de amores. Assim, Pixar/Disney situam sua nova protagonista, nos oferecem um contexto e ainda nos explicam qual é o elo de ligação entre os dois longas: um pai procurando um filho x uma filha procurando os pais. Só então descobrimos que a história avançou um ano após o resgate de Nemo e os nossos três peixes favoritos continuam juntinhos.

Esse retorno constante ao passado de Dory é extremamente importante para a construção da narrativa. Não apenas para nos dar informações sobre a infância da personagem, mas para que ela mesma tenha condições de seguir as pistas e encontrar a família. Aliás, desde o primeiro filme, vemos essa preocupação em valorizar a vida familiar e as amizades, o que eu acho extremamente positivo nessa sociedade que se distancia cada vez mais do relacionamento face a face.

Um ponto novo nesse roteiro é a parte didática. O tempo todo aparecem curiosidades sobre a fauna marinha, inclusive com a presença de novos personagens: o polvo Hank (que tem três corações e a capacidade de mudar de cor/se camuflar, conforme o ambiente), a beluga/baleia branca Bailey (com “o par de óculos mais poderoso do mundo” – sonar natural da espécie). Esse toque educacional não fica maçante nem forçado, pelo contrário, acredito que dão um charme a mais, assim como as outras mensagens.

Preciso dizer que o problema da perda de memória foi tratado com tanto carinho, respeito e amor, que deu orgulho de ver. Sério, achei ímpar. Dory é mesmo incrível justamente por ser quem é, com crises de esquecimento e tudo mais. Aliás, é justamente isso que a torna especial. No fundo, ela sabe para onde está indo e dá valor aquilo que realmente importa. E você, já parou para pensar no que a Dory faria hoje?

Para fechar… Vi alguns comentários sobre as situações já serem todas conhecidas, dando uns retoques aqui e ali ou críticas a respeito da presença dos personagens do filme anterior para fazer “as mesmas piadas”, que Nemo e Marlin foram “deixados de lado”, etc. Pois eu achei que as novas sacadas foram geniais, a luminosidade no fundo do mar melhorou consideravelmente (tirando a parte do reencontro com os pais), as marcas do filme “original” foram usadas na medida e, de fato, essa maluquinha é Unforgettable. Para mim, Procurando Dory é mais que uma simples animação bem feita… Tem alma.

Título original: Finding Dory

Gênero: Animação/Comédia

Lançamento: 2016 (Brasil)

Direção: Andrew Stanton e Angus MacLane

Produção: Lindsey Collins

Produtoras: Pixar e Walt Disney Pictures

Sequência de: Procurando Nemo (2003)

Stars: 5 [com louvor]

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