Ao estilo de Wonderland

livro_atrás do espelhoÉ interessante como, de certa forma, ficamos preparados para o segundo volume de uma série. Não é mais necessário passar por aquela fase de “experimentação”, tentando descobrir o que esperar, tateando os ambientes no escuro e buscando entender as características de cada personagem. Já pegamos aquele trem antes, só precisamos reconhecer os vagões e relembrar o ritmo do maquinista.

Nesse sentido, a autora conseguiu me levar de volta ao mundo atrás do espelho, num virar de páginas. Me fez sentir como se nunca tivesse saído do País das Maravilhas que ela criou. Além disso, foi ainda mais enigmático, provocativo e cheio de reviravoltas que o primeiro volume. Pois é, eu também não achei que fosse possível.

O que acontece é uma mistura constante entre sonhos e realidade, de modo que a vida de Alyssa é invadida por toda a loucura outra vez. A diferença é que agora ela sabe com o quê e com quem está lidando. Como a narração se mantém em primeira pessoa e A. G. Howard realmente tem uma habilidade interessantíssima com as palavras, é possível sentir na pele as angústias, as dúvidas e tudo o mais que se passa com a nossa majestade.

[AVISO! Daqui para frente, há vários SPOILERS. Então, só leia se estiver preparado]

Ainda que o namoro com Jeb tenha dado certo por um ano, Alison esteja em casa e Morfeu não atormente tanto, a normalidade passou longe [como era de se esperar]. Embora Alyssa procure manter as aparências… Os nódulos nas costas, a mecha vermelha em seu cabelo loiro, os mosaicos feitos com seu próprio sangue e a notícia de que seu outro mundo pode estar em ruínas não a deixam abandonar seu lado intraterreno.

Neste livro, essa parte de Alyssa parece ser a mais forte. O que também significa que ela começou a se aceitar, pois, no fim das contas, é preciso encarar os dois lados de nós mesmos. Um exemplo disso é o fato de ter deixado de se incomodar em ouvir os insetos e as flores, enxergando-os como aliados. Ao mesmo tempo, quando ela deixa sua magia ou seus pensamentos intraterrenos aflorarem, fica maldosa, impaciente e inconsequente [o que acontece em diversos momentos].

Alías, finalmente entendemos aquela história de “melhor dos dois mundos”. Os seres humanos são fortes porque tem uma infância (quando desenvolvem a imaginação e a criatividade). Isso torna a sua magia mais poderosa porque podem criar elementos que não existem ou não estão disponíveis (numa batalha, por exemplo). Já os intraterrenos precisam trabalhar somente com o que estiver à mão.

Confesso que, pela capa, eu imaginava que o foco estaria mais em Morfeu. No entanto, a descendente dos Liddell continua sendo a estrela do show. Ainda assim, apesar de ele ter estragado o ideal de realidade perfeita no mundo humano, começamos a vê-lo com outros olhos. Afinal, “ele tem os seus momentos de coragem, ternura e até de abnegação” (p. 183). Em compensação, Jeb está distante, concentrado apenas em sua carreira, chega até a ser um tanto rude. E começa a irritar ao dar a entender que vale tudo em nome de sua arte. Só eu notei que estamos sendo levados a gostar mais do cara “errado”? [risos]

Falando nos dois… Não gostei da ideia de que Alyssa pode ter duas vidas: a humana e a intraterrena. Depois que todos envelhecerem, a eternidade a aguarda no País das Maravilhas e ela poderá viver ao lado de sua mariposa preferida. O mais estranho é que, apesar de todas as mentiras e os jogos, se eu pudesse escolher por ela, preferia que tivesse um futuro apenas com Morfeu. Isso porque eu penso que o lado intraterreno é o mais forte nela, quem ela realmente é (basta lembrarmos, por exemplo, que sempre se vestiu de maneira parecida com a loucura de wonderland).

Os comentários e as atitudes sensuais ficaram mais intensos nessa obra, devido ao namoro de Alyssa e Jeb (claro, Morfeu também não perde a oportunidade de fazer várias gracinhas). Eles começam a discutir sobre se entregarem um ao outro, em certos momentos, estimulando a quebra de regras e as mentiras para viver essas experiências. Nada disso me agrada. Maaas, já discuti essa questão em O lado mais sombrio, não vou ficar aqui me repetindo. O fato é que tudo não passa de uma ideia/vontade, nada é realmente vivenciado.

E quando você pensa que está entendendo tudo, que conhece todos os problemas e soluções possíveis, que já conseguiu todas as respostas importantes… Descobre que não passavam de meias verdades. Como aguentar tantas reviravoltas, sem ter palpitações? Uma conversa entre Mordeu e Alyssa é certeira no que diz respeito ao livro: “Qual é a sua definição de real? / Está mudando sempre” (p. 260).

Se querem saber, a obra está bem próxima dos romances policiais, com suspense, pistas falsas, suspeitos que acabam virando mocinhos, etc. Sem contar que termina de forma super caótica. Enquanto no anterior havia esperanças de que Alyssa conseguisse viver em paz no mundo humano e tudo parecia estar se resolvendo… Agora só restou uma tremenda bagunça! Alison é refém da Irmã Dois, Morfeu e Jeb estão sofrendo em Qualquer Outro Lugar e Alyssa está no sanatório. Para ajudar, a toca do coelho foi destruída e agora ela vai precisar contar com a força de seu pai para ajudá-la. Dá para ser mais catastrófico? Ansiedade master para ler o próximo volume. Pena que deve demorar um bocadinho.

Autora: A. G. Howard

Editora: Novo Conceito

Páginas: 396

Edição: 2014

Idioma: Português

Acabamento: Brochura

I.S.B.N.: 978.85.8163.561.3

Stars: 4

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