Uma baita invenção

livro_morelSe Jorge Luiz Borges qualifica a trama como perfeita… O que mais posso dizer? [mesmo assim, eu arrumo  o que falar].

A invenção de Morel é considerada [com toda razão] um clássico e a grande obra-prima da literatura fantástica em língua espanhola. Mesmo tendo sido publicada, pela primeira vez, em 1940, continua ganhando e instigando leitores de diferentes idades e culturas. Recentemente [2014], rendeu uma adaptação para os quadrinhos e dizem até que o seriado Lost foi inspirado na criação do escritor argentino.

Falando em Adolfo Bioy Casares (1914-1999), ele escreveu de romances a cartas. Recebeu alguns prêmios, entre eles, o Miguel de Cervantes (um dos mais importantes da Espanha), em 1990. Sua obra mais conhecida é justamente La invención de Morel. Na minha humilde opinião, essa narrativa fantástica é original e primorosa, do tipo que desafia qualquer conceito de lógica preestabelecido. Além disso, nos deixa arrepiados e ansiosos para desvendar o “enigma” o mais depressa possível.

Em linhas gerais, o leitor é levado a uma ilha “deserta” [foco de uma epidemia letal], na qual um fugitivo – condenado à prisão perpétua – resolve se esconder. Tudo parece tranquilo e não há sinal de ocupação humana, até um grupo de veranistas e máquinas misteriosas aparecerem na história. Mesmo colocando em risco seu anonimato, o refugiado acaba se apaixonando por uma das turistas. Começa a observa-la, segue seus passos e descobre um “concorrente”, chamado Morel. Daí em diante, é pura criatividade literária.

[ATENÇÃO PARA O SPOILER]

Ao passo que o nosso amigo fugitivo monitora os movimentos dos “intrusos”, nota certos padrões em suas conversas e atitudes. Sente medo, pois acredita que podem estar criando uma estratégia para pegá-lo. E eu acreditei na mesma coisa, afinal, a narrativa é desenvolvida em primeira pessoa. Nós sabemos o que ele sabe. Só não me saía da cabeça o seguinte: se a ilha poderia estar contaminada, o que esse pessoal todo fazia lá?

Então, nosso observador percebe que as roupas dos turistas são um tanto antigas. Além disso, não pode mais ignorar o tal ritual de conversas e atitudes deles, encenado semanalmente. Tudo sempre igualzinho… E as máquinas estranhas que ele encontra? Sabe quando dá um nó na cabeça? Pois bem. Você percebe que tem algo errado, mas não dá para descobrir o que é.

Para compreender o tal mistério, é preciso abandonar qualquer noção de realidade e fantasia, possível e impossível [justamente por isso é complicado “chegar lá”, não estamos acostumados a fazer isso]. Afinal, quem imaginaria uma máquina que eterniza e reproduz a vida de um grupo, incessantemente? Seria uma maluquice? Com certeza… Mas uma maluquice das boas.

[PRONTO, PODE CONTINUAR A LER… É SEGURO]

Confesso que estou mais acostumada com os romances. Foi a primeira novela que eu li e senti falta de uma trama mais elaborada, cheia de conflitos, personagens e descrições. Me deixou com aquela sensação de “quero mais”… Fiquei com tantas perguntas e, quando estava no auge do envolvimento, acabou. Essa não é exatamente uma crítica, pois a proposta de Casares não era romanesca mesmo… No entanto, precisava dizer que o meio-termo entre o conto e o romance ainda me deixa desconfortável. Enquanto novela, apesar de ter sido minha estreia, posso concordar com Borges [risos].

Autor: Adolfo Bioy Casares

Editora: Rocco

Páginas: 124

Edição: 1986

Idioma: Português

Acabamento: Brochura*

Stars: 4

 

*O acabamento original é, de fato, este. No entanto, eu li a versão disponível em PDF pelo Grupo Digital Source [me julguem].

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