Quem ama literatura… Fica longe desse livro

literatura_rufino.pngGente… Foi MUITO chato. Pior que eu estava super empolgada. Comprei o livro achando que seguiria uma linha e o que eu encontrei nas 199 páginas foi algo completamente diferente.

O título do livro instiga um bocado… Afinal, será que a literatura precisa ser estudada para ser amada?! Somente os pesquisadores a conhecem ao ponto de se encantarem pelas palavras de suas páginas?! Nós, leitores, sabemos que isso está longe de ser verdade. Hoje eu também pesquiso essa belezinha, mas meu amor pelos livros é das antigas. Então, onde será que o autor quer nos levar com essa provocação?

Se olharmos o currículo “básico” de Joel Rufino dos Santos (1941-2015), perceberemos que ele não é “qualquer um”. Foi um historiador, professor e escritor carioca, bem como um dos nomes de referência sobre o estudo da cultura africana no Brasil. Esteve entre os exilados devido às ideias políticas contrárias ao regime ditatorial e, ao retornar da Bolívia, não escapou da detenção. Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lecionou nada mais nada menos que a querida disciplina de Literatura. Como escritor, publicou de livros infantis a didáticos e ganhou várias vezes o Prêmio Jabuti de Literatura. Considerando tais especialidades, chegou a colaborar nas nas minisséries Abolição (transmitida  entre 22 e 25 de novembro de 1988) e República (transmitida entre de 14 e 17 de novembro de 1989), da Rede Globo.

Quando eu comecei a leitura e percebi que o tal “Qual ama literatura não estuda literatura” se tratava de uma constatação de Rufino, embasada nos seus quase 20 anos de sala de aula, fiquei bem curiosa. Diga-se de passagem, logo na introdução, ele já faz uma fofura e me conquista:

O leitor descontará, além disso, o tom professoral e a simplificação de assuntos complexos. O professor se habitua a discorrer sobre qualquer matéria em cinquenta minutos. É repetitivo e rebarbativo, se dirige a sábios como se fossem ignorantes. Algumas vezes, aliás, tive alunos que sabiam mais do que eu. Nesses casos, como aqui, meu trabalho se limitava a organizar, talvez um pouco melhor, o que sabiam, buscando as perguntas para as respostas que presumiam já ter. Professor é o aluno que não quis sair da escola (p. 12, grifo nosso).

Maaaas, como nem tudo são flores, me assustei já na página 15, quando ele inicia o primeiro capítulo, cujo título é “Perturbadores do sono do mundo”. Eu não conseguia estabelecer a relação entre todas as minhas expectativas (discutir o ensino e o estudo de literatura pelo olhos de um baita professor) com o Dr. Cláudio de “O Ateneu”, o evolucionismo de Darwin, as lutas de classes de Marx… E, pasme, até a teoria da relatividade de Einstein apareceu na história. Como se dizia há uns bons anos… Boiei.

E foi assim nos três capítulos seguintes: “Quem ama mata”, “Madalena, ou a falsidade da literatura” e “Nos arredores do NorteShopping”. Meu cérebro decodificava a mensagem e, digamos, compreendia o contexto… Mas eu ficava com a sensação de estar totalmente perdida naquelas páginas. Pode ser que a ideia que eu fiz do livro era tão distante do que ele realmente é que não dei conta da decepção. Ooooou, esse negócio é chatinho mesmo. [risos]

No fim, a única coisa que eu consegui entender de verdade foi que o autor defende uma mudança nos moldes do ensino de literatura. Parece que [lembrem-se que eu passei boa parte do tempo implorando pra acabar logo] ele não é muito fã de analisar as obras tendo como ponto de partida os movimentos, as escolas e os estilos literários [quem ainda é?]… Acredita que um estudo social e relevante seria aquele ancorado na antropologia, na psicologia, na história, na economia, na sociologia, nas teorias da comunicação e por aí vai. Por isso Rufino trouxe o Freud, o Marx e mais um pessoal para discutir alguns títulos com a gente (clássicos brasileiros de autores como Nelson Rodrigues e Graciliano Ramos). Minha reles opinião? Não rolou.

Só terminei porque detesto desistir de um livro. Aliás, nunca fiz isso. Sempre acho que ele pode me surpreender ou ensinar algo, ainda que seja no parágrafo final. Então, como deixar leituras para trás não é comigo, eu terminei… Contudo, preciso confessar, demorei um século e foi um sofrimento. Pelo menos, acho que o título na minha estante ainda renderá boas conversas sobre estudar ou não literatura. Viram só no que dá julgar um livro pela capa? [risos].

 

9788532522245

Autor: Joel Rufino dos Santos

Editora: Rocco

Páginas: 199

Edição: 2008

Idioma: Português

Acabamento: Brochura

I.S.B.N: 978.853.252.224.5

Stars: 2

 

 

 

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