Não perca a Grande Magia de vista

grande_magiaMuita gente tem preconceito com “autores best-seller” e, talvez, enquadrem a Liz Gilbert nessa categoria. Maaaas… Eu discordo que ela faça parte desse pessoal. É verdade que Comer, Rezar, Amar vendeu absurdamente, porém, os trabalhos seguintes (assim como os anteriores: O Último Homem Americano – finalista de prêmios – e Sobre Homens e Lagostas) não são “meramente” comerciais. Para mim, há uma diferença entre escrever só para vender e escrever um livro que acaba se tornando um sucesso.

Eu já li a famigerada obra (que ficou na lista dos mais vendidos do New York Times por um bom tempinho e foi adaptado para o cinema), bem como Comprometida e A assinatura de todas as coisas. Não sei se me consideraria uma fã, mas é uma autora que tem minha empatia. Isso porque eu adoro o jeito que ela escreve. É como se estivéssemos sentadas ao redor de uma mesa, com um bolo delicioso e um cafezinho a nossa frente, só batendo um papo para passar o tempo. E, ainda assim, estaríamos discutindo coisas profundas.

Ela tem esse dom de prender a nossa atenção, falando de maneira informal, nesse tom de “conversa de café da tarde”, enquanto trata de questões significativas. Não há aquele ar de sermão ou de “eu sei tudo sobre isso, então, me escute”. Você se encanta pelas palavras porque não tem saída… Há algum tipo de magnetismo nessa simplicidade toda. Isso é para poucos.

Sendo assim… Mal pude esperar quando vi que sairia outro livro dela. E não esperei mesmo, comprei quando ainda estava em pré-venda. Afinal, Elizabeth Gilbert + Capa linda + Tema interessante = preciso ler! Sejamos sinceros, essa capa é um arraso né?! E você não vai acreditar em como ela foi feita… Dê uma olhadinha nesse vídeo e aposto que não vai se arrepender.

Mas agora, falemos, de fato, sobre Grande Magia. Acredito que já tenha dado para notar que ele trata de criatividade. Contudo, não pense, nem por um único segundo, que vai encontrar nessas páginas uma “receita” de 10 passos para ser a pessoa mais criativa do universo ou que ele vai te ensinar a ter sucesso escrevendo um livro, lançando um álbum ou criando uma exposição de pintura a óleo. Logo no início, uma coisa fica clara: quer ter uma vida criativa? Pois bem, deixe o medo de lado e siga os rastros da sua curiosidade. A inspiração é sua aliada, não a assuste com suas inseguranças, com sua preguiça, seu mau humor ou sua frustração… Deixe as ideias fluírem.

Só porque a criatividade é mística, não quer dizer que não deva ser desmistificada – especialmente se isso significa libertar os artistas das limitações de seus delírios de grandeza, de seu pânico e de seu ego (GILBERT, 2015, p. 56).

Aliás, falando em ideias… Confesso que fiquei meio desconfortável com a “personificação” que a Liz faz delas. É como se ficassem vagando por aí, esperando encontrar um parceiro, um ser humano que esteja disposto a embarcar em sua viagem criativa. Depois, eu parei de problematizar essa história de “forma de vida incorpórea” e entendi o sentido daquilo que a autora propôs. As ideias podem escapar sim, podem resolver ir embora quando você está fechado para elas, quase como se tivessem vida própria.

Em meio as histórias de amigos, de outros escritores, dela mesma e de pessoas que a inspiraram, Gilbert nos fala de Coragem (Parte I), Encantamento (Parte II), Permissão (Parte III), Persistência (Parte IV), Confiança (Parte V) e Divindade (Parte VI). O título desses seis capítulos, segundo ela, são os ingredientes essenciais para a criatividade. A partir de uma visão bastante simples e, ao mesmo tempo, singular a respeito da entrega necessária para uma vida criativa, somos motivados a pensar sobre os desafios e os benefícios de se ter uma mente disposta a embarcar na Grande Magia da inspiração.

Este, com certeza, não é um daqueles livros de autoajuda viajados e cheios de “equações da felicidade”. Ele te chacoalha, te vira de ponta cabeça, te faz refletir sobre as ideias que você mesmo tem deixado escapar por medo de se lançar.

Entretanto… Assim como acontece quando nos reunimos com as amigas para papear, a coisa não flui o tempo todo. No começo, o assunto não parece tão legal, demora pra embalar. No final, vocês já estão cansadas de tanto falar e a conversa vai morrendo, ficando sem graça… Até acabar de vez e dar lugar a outro assunto. Então, para vocês não acharem que o livro é pura magia, o tempo todo… Preciso dizer o seguinte: o início é meio chatinho e o final é abrupto demais. Isso porque [pelos menos para mim], as expectativas estão super altas e você está pensando mil coisas quando começa a primeira página… Mas encontra outros caminhos (o que não significa que sejam, necessariamente, ruins). Depois, quando está achando tudo aquilo o máximo e poderia ler mais 500 páginas daquelas, simplesmente, de uma hora pra outra, acaba.

No fim das contas, foi uma conversa singela e agradável. Por isso… Obrigada, Liz, por ser corajosa e nos presentear com a magia das suas palavras!

 

capa_grande_magia

Autora: Elizabeth Gilbert

Editora: Objetiva

Páginas: 189

Edição: 2015

Idioma: Português

Acabamento: Brochura

I.S.B.N: 978.853.900.710.3

Stars: 4

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