Caixeiro viajante das letras

Foto: Kélen Henn
Foto: Kélen Henn

Sem sessão de autógrafos, editoras ou comodidade. Apenas uma ideia na cabeça e palavras nas mãos. É assim que os integrantes do Grupo Alternativo de Literatura têm ganhado a vida nos últimos 30 anos. Podem não trabalhar com carteira assinada ou ter salário fixo, mas correm atrás do que acreditam e investem na democratização da leitura.

Maringá, Londrina, Apucarana, Cianorte, Paranavaí, Umuarama. Essas são algumas das cidades visitadas pelo grupo. Eles percorrem os grandes centros do Estado divulgando suas produções. Além disso, também já estiveram em São Paulo (SP) e no norte do país. Livros e folders com poesias, crônicas, romances, entre outros gêneros. São cerca de 15 integrantes; cada um já publicou entre dois e 10 livros; de 25 a 30 folders.

Como começou

Há mais de 30 anos, estudantes de Londrina resolveram se unir para divulgar suas produções literárias. Eles vão até locais movimentados das cidades – como em frente a supermercados e shoppings –, abordam as pessoas e tentam vender seus trabalhos. A produção é independente. Os escritores fecham o orçamento com uma gráfica, imprimem e vendem a preços baixos. Os livros custam em torno de R$ 10 e os folders R$ 3. Conforme um dos participantes, Fábio Evans, 54, a ideia era viver uma proposta mais ousada e partir para um contato mais direto com os leitores. “O reconhecimento, muitas vezes, é instantâneo. Além disso, percebemos que incentivamos tanto a leitura quanto a escrita.”

Vida pessoal

No Grupo Alternativo de Literatura tem jornalistas, professores, sociólogos, entre outros tipos de profissionais. Esses homens deixaram suas carreiras ainda no começo e hoje vivem apenas da arte. De acordo com Evans, a prática trouxe benefícios, mas também tiveram que abrir mão de muitas coisas. “Posso falar que 50% dos integrantes se divorciaram e todos vivem com muita instabilidade. Temos dinheiro apenas para as necessidades básicas mesmo.”

Projeto para o futuro

Fábio Evans conta que o grupo pretende criar um espaço na web para disponibilizar ou vender os materiais dos escritores. Eles ainda estão verificando os custos e as plataformas. “Queremos que o contato e as possibilidades de compra sejam ainda maiores. Hoje, a internet tem ganhado muito espaço e acreditamos que podemos fazer a diferença dessa maneira também”. O objetivo é sistematizar as publicações e, assim, dar mais acesso à leitura. Quando questionado se pensa em voltar para a profissão de jornalista, Evans se mostra firme. “Nessa altura da vida, depois de tantos anos nessa prática, seria difícil investir noutra abordagem. Eu sou feliz vivendo assim”.

*Esta matéria foi publicada no jornal Hoje Notícias, em outubro de 2013. O escritor Fábio Evans visitou a redação para divulgar o trabalho do grupo.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Lina disse:

    Olá, gostaria de saber como contatar com o escritor Fabio Evans.

    1. Natália Gomes disse:

      Lina, infelizmente, não tenho o contato do Fabio Evans. Fiz a matéria quando ele nos procurou no jornal Hoje Notícias, mas na época ele não tinha contato de email ou telefone. O que posso te dizer é que, quando ele está Maringá, costuma caminhar nas proximidades do shopping Avenida Center.

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