Piadas podem ser ofensivas

Rir é bom, só não vale ofender os outros.
Rir é bom, só não vale ofender os outros.

Nós, brasileiros, adoramos uma piada. Tirar sarro dos outros é com a gente mesmo. Palavras ofensivas viram até cumprimentos, saudações. Queremos fazer rir e também dar o máximo de risada possível. É característica nossa. No entanto, algumas brincadeiras podem ofender e, para quem é o alvo da piada, ela pode ser bem sem graça.

Os engraçadinhos de plantão podem dizer que o mundo está muito chato. Tudo agora tem que estar dentro do que se julga politicamente correto. Não dizemos mais negros, são afrodescendentes. Não podemos falar prostituta (ou palavras ainda mais “chulas”), agora elas são profissionais do sexo. E assim por diante. Tem um montão de novas nomenclaturas com o objetivo de inibir o uso pejorativo.

Concordo que algumas coisas são exageradas. Mesmo assim, penso que a medida se aplica justamente aos que não sabem respeitar. E isso acontece em todo lugar, com pessoas de diversas idades. No trabalho, por exemplo, sempre tem alguém que assume o papel de palhaço (as vezes, até mais de um). Parece que precisa fazer piada para chamar atenção dos colegas. Nisso, acaba ofendendo “sem querer”.

Já disse outras vezes que não conhecemos o outro. Ninguém se revela totalmente. Você pode estudar com alguém desde criança e nunca saber que a pessoa é homossexual ou que tem tendências espiritualistas. Você pode trabalhar com um sujeito tímido, mas nunca imaginar que ele seria capaz de matar alguém. Você pode conviver bastante com as primas, mas, com certeza, vai perder lances da vida delas. Nem mesmo a gente se revela por completo.

Por isso, as brincadeiras são perigosas. E, vamos combinar, difícil ter uma piada que não apele para um humor mais sarrista. Nem todo mundo é como Roberto Goméz Bolaños (criador e protagonista de Chaves e Chapolin Colorado), que sustentou seus programas com um humor inteligente, focado nas trapalhadas do cotidiano. As pessoas falam de questões religiosas, loiras, negros, japoneses, portugueses, homossexuais, traição, ou seja, costumam puxar para o lado pejorativo e acabam humilhando ou rotulando.

Para mim, é importante respeitar as pessoas sempre. E se for necessário guardar o veninho ou o humor ácido para si mesmo… É melhor fazer isso do que se indispor com alguém, do que chatear, causar sofrimento. Rir é ótimo e até faz bem para a pele. Mas só é legal mesmo quando todo mundo tem a chance de dar risada junto, quando a brincadeira não magoa ninguém.

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