Os efeitos da tecnologia

tumblr_mdcncqc3831qmai7go1_500_largeQuais são as consequências da tecnologia no cérebro humano? Será que o uso em excesso da internet pode provocar riscos para a nossa mente? Ainda não sabemos. Mas já existem pesquisadores estudando o tema e descobrindo efeitos assustadores. A neurocientista e especialista em doenças degenerativas do cérebro, Susan Greenfield aponta que “passar tempo demais na frente de computadores, games, tablets e smartphones causa alterações cerebrais da mesma natureza daquelas advindas do Alzheimer, embora não tão destruidoras”.

Em entrevista a revista Veja*, Susan defende a tese de que a utilização ininterrupta de dispositivos interativos deixa a mente em um estado de confusão. Segundo a pesquisadora, o principal problema não é o contato com os novos meios, mas deixar de realizar outras atividades importantes para o desenvolvimento do cérebro e para a saúde mental. Ainda não se sabe se os estímulos atuais podem causar transformações fisiológicas permanentes, mas “é uma hipótese a considerar seriamente a longo prazo”.

O momento que vivemos hoje é bastante controverso. De um lado, temos uma infinidade de caretinhas se dizendo amigas na internet. De outro, a falta de interação social. Como pode? Estamos o tempo todo conectados. E você deve estar pensando que estou maluca. Afinal, você fala com a sua prima que mora em Nova York pelo Skype, com o tio do Espírito Santo pelo Whatsapp e com o pessoal da faculdade pelo bate-papo do Facebook. O que mais faz é interagir. Engano nosso. Não basta ter uma vida virtual, temos que cuidar da realidade também. E temos feito pouco nesse sentido. Estamos mais preocupados em atualizar o status do perfil do que encontrar os amigos, sair para caminhar ou viajar com a família.

Em relação ao desenvolvimento das crianças, os problemas são ainda mais complexos. Afinal, a nossa identidade é construída justamente a partir da interação com os outros e com o meio em que vivemos. A nossa personalidade, as habilidades, os valores, tudo é construído a partir da experiência, do conhecimento, da observação. A questão é que o mundo virtual é diferente e temos perdido a oportunidade da convivência. As pessoas podem abandonar os constrangimentos, não têm medo de se comportar mau. E os videogames, de acordo com Susan, traçam objetivos, mas não explicam o porquê, não trazem um contexto. Por isso, ela alerta sobre o perigo dos games na infância produzirem adultos “sem ética e atrofiados emocionalmente”.

“As pessoas agora estão sendo levadas a ter uma percepção da vida como uma sucessão de pequenas tarefas desconectadas entre si […]. O ser humano é produto de histórias, da preservação de memórias, enfim, da narrativa. Não há mais narrativa. Tudo não passa de ação e reação.” As novas tecnologias estão nos transformando. Lembram-se do filme Wall-E? Ninguém mais se enxergava, se tocava, não havia nada além do universo digital. Era cada um por si. É para isso que estamos caminhando, em menor ou maior proporção. Temos tanta informação, tanto conteúdo disponível, tantos avanços tecnológicos… Mas não temos aproveitado o lado simples da vida. Temos tudo e nada, ao mesmo tempo.

Não são apenas as consequências cerebrais que assustam, mas também o que estamos fazendo com o lado emocional do ser humano. Já não vivemos mais sem nossos computadores, smartphones e afins. Preferimos esses aparelhos às pessoas de verdade. Se eu te desse 30 segundos para pegar a coisa mais importante que você tem na vida, será que agarraria a mão de seus filhos ou o celular? Pense nisso. É fato que esses dispositivos são importantes para o trabalho, o estudo e tudo mais. É claro que facilita. Nem tudo é apenas ruim. Mas qual é a medida? Quais são os limites? Cabe a nós estabelecer. É nosso papel decidir a vida que queremos ter.

O que reafirmo é que, a exemplo de um carro, que nos serve tanto mas com o qual podemos atropelar e matar alguém, obter os benefícios e evitar os males das novas tecnologias depende apenas do usuário. (Susan Greenfield)

*Entrevista na íntegra, disponível em: http://veja.abril.com.br/acervodigital/ (procurar por edição 9 de janeiro de 2013).

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