Viver em família

tumblr_m6yr2bUaYw1rxqntyo1_500Como dizia Aristóteles, o homem é um ser social. Não sabemos viver sozinhos. Precisamos do outro. Precisamos do mundo. Por mais que tentemos fugir disso, não dá para vivermos isolados. O problema é que estamos cada vez mais centrados em nós mesmos, que esquecemos do papel que desempenhamos dentro da sociedade. Esquecemos que as nossas ações influenciam e têm consequências na vida de quem nos cerca. Nosso pensamento é tão individual, que esquecemos do coletivo.

Desde que nascemos, estabelecemos relações. Tudo começa em família. É em casa que aprendemos as primeiras palavras, damos os primeiros passos, conhecemos as primeiras pessoas. É ali que apertamos o botão de start da coletividade. Descobrimos, aos poucos, que tem alguém que lava a roupa de todo mundo, cozinha pra todo mundo, limpa a sujeira de todo mundo e assim por diante. E, as vezes, descobrimos que algumas pessoas não contribuem tanto assim.

Essas relações não se dão apenas com os outros, mas se dão no mundo, com o mundo e pelo mundo. (Paulo Freire, Educação e Mudança, 1979)

No dia a dia com os nossos familiares temos um “aperitivo” do que são diferentes personalidades, da importância do papel de cada pessoa dentro de um grupo, de como o pensamento individual pode atrapalhar a convivência. Precisamos aprender a lidar com o outro, respeita-lo e também ajudar no que for necessário. Mas, nem sempre, a coisa funciona como um reloginho. Algumas vezes, as pessoas estão tão ocupadas pensando em si mesmas que esquecem todo o resto.

O pai trabalha e acha que, por isso, não precisa ajudar nas tarefas domésticas. Passa o final de semana todo deitado no sofá enquanto as outras pessoas fazem o serviço pesado. Em alguns casos, até se incomoda por ter que trocar uma lâmpada, consertar uma torneira ou levar as crianças à escola. A mãe, que na maioria dos casos, se desdobra para colocar tudo em ordem e ainda trabalhar fora, não é reconhecida. Pior, não recebe ajuda dos filhos e do marido. Um é pequeno demais, o outro é ocupado demais, sempre tem um empecilho.

Não custa abaixar a tampa do vaso ao terminar de usar, pegar uma meia suja que alguém deixou cair no chão e colocar no cesto, levar o lixo para fora quando perceber que está cheio, manter as roupas organizadas, encher a jarra de água e colocar na geladeira… Pequenas ações fazem a diferença. Alguns gestos simples demonstram que a gente se importa, que a gente percebe o quanto o outro está sobrecarregado. E mais, que entendemos o nosso papel.

Nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela envolve a humanidade como um todo. (…) Assim, sou responsável por mim e por todos… (Jean-Paul Sartre, O existencialismo é um humanismo, 2010)

Quando entendemos que as nossas ações influenciam a vida alheia, temos a chance de fazer diferente. Quando entendemos que somos responsáveis também por aqueles que nos cercam e até mesmo pelos que estão longe, temos a chance de mudar. Não é preciso se sobrecarregar também, mas ajudar o outro a carregar um pouco de peso. Não é necessário se desdobrar, mas fazer exatamente aquilo que você pode fazer. São pequenas coisas. Alguns minutos. E que podem fazer a diferença no convívio de toda a família.

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