Pelo fim das agressões cotidianas

PIP_bullyingQuem nunca foi motivo de piadas no trabalho? Quem nunca sofreu na escola por tirarem sarro de uma característica? Quem nunca foi reprimido pelos próprios pais? Sempre tem alguém para apontar os nossos defeitos e fazer parecer que somos piores que os outros por conta disso.

O bullying não é novidade para ninguém. Aliás, nos últimos anos, tem estado em evidência. No entanto, as atividades que classificam o termo são antigas. Basta perguntar aos avós, bisavós, tataravós… Isso sempre existiu. Em menor ou maior proporção, não importa. Isso porque a vontade de caçoar dos outros é algo, de certa forma, inerente aos seres humanos. Gostamos das fofocas, dos assuntos proibidos, de destacar no outro tudo que há de pior. Talvez seja até um mecanismo de defesa.

Já estive em meio a esse tipo de pessoa. Também já fui alvo. E o pior é que muitos não percebem como essas “brincadeiras” afetam, desgastam, fazem sofrer. Alguns têm vontade de tirar a própria vida. Começam a acreditar nas grosserias, não percebem mais o seu valor, detestam a si mesmos. Pior, sentem-se culpados pelos ataques alheios. Os grosseiros de plantão não fazem ideia do quanto suas “piadinhas” são nocivas. Do alto de seu pedestal de perfeição, xingam, provocam, tiram sarro e, aos poucos, tiram o brilho de seus alvos.

Na escola e no trabalho essas pessoas, que se julgam engraçadas e descoladas, estão por toda parte. É difícil não ter um colega assim. Mas, muitas vezes, esse problema se amplia para dentro de casa. Alguns pais também agridem os filhos com insultos que podem deixar marcas profundas. Crianças e adolescentes carregam as feridas até mesmo na vida adulta.

Você só me dá desgosto. O que há de errado com você? Você tem tudo o que precisa aqui e, mesmo assim, age dessa maneira. Você é burro (a), lerdo (a), inútil. Você é o (a) culpado (a) de todos os meus problemas.

E isso ainda é considerado pouco diante do que acontece entre quatro paredes. Depois de um dia inteiro de vergonha por conta do que os colegas dizem na escola e até mesmo depois de sofrer agressões físicas, os filhos chegam em casa em busca de segurança. No entanto, são pisoteados novamente. Não tem para onde correr e acabam procurando conforto na internet. Encontram diversas formas de se cortar para aliviar a dor, maneiras de se isolar do mundo e até de se punir por “não serem bons o bastante”.

É preciso ter consciência do quanto uma palavra ou um comportamento negativo pode afetar o outro. Seja uma pessoa do trabalho, da escola, um amigo ou parente. É preciso refletir sobre os sentidos que as palavras podem produzir, pensar no que aquela frase representaria se fosse dita a você. E, a partir disso, ensinar os filhos a também não agir de maneira agressiva com quem convivem. Além disso, é importante acolher os filhos, se interessar por eles, não reforçar a hostilidade que experimentam na escola.

Um xingamento, um tapa, uma risada… Isso pode parecer inofensivo, mas fere. Muitos não conseguem se reerguer. Pelo contrário, se afundam cada vez mais. Sentem nojo de si mesmos por serem mais gordinhos, mais peludos, menos atraentes, menos espontâneos, tímidos, magros, por terem um nariz enorme, a boca torta, etc. Todos temos defeitos. Ninguém é melhor por ter um rosto mais simétrico ou um corpo escultural. O que realmente importa não é o embrulho, mas o conteúdo do pacote.

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