Você tem mil palavras

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Então, é Natal. Mas não estou aqui para falar desse assunto. A ideia surgiu a partir de uma árvore (garanto que não era um pinheiro verde todo enfeitado). Era apenas uma árvore. Simples. Mas ela tinha algo especial. Apenas mil folhas. E mais, a cada palavra que o protagonista do filme deixa escapar, uma folha também escapa. Ele tem apenas mil palavras. Quando elas terminarem, terminam também a sua vida e a da árvore.

Imagine que hoje, neste dia de Natal, você tem mil palavras. O que vai dizer? A quem vai se dirigir? Como vai administrar a ponte entre o que você sente ou pensa e aquilo que vai expressar? Ao longo do filme, é possível notar que Edward Regan (Eddie Murphy) começa a entender o que é realmente importante dizer. Um homem que dava muito mais valor a si mesmo e suas ideias do que a família e a própria vida. Edward percebeu que aquilo que realmente importa nem sempre precisa ser dito. Nós podemos expressar com o olhar ou com gestos. Podemos guardar as palavras para momentos especiais.

Passamos os dias falando sem parar. Falamos dos nossos problemas, nossas aspirações, nossos desejos. Falamos da vida dos outros, de suas conquistas, seus fracassos. Falamos do que gostamos e também reclamamos. O tempo todo, deixamos as palavras escaparem. E nem sempre por bons motivos. Perdemos a chance de nos envolver em nosso silêncio interior. Perdemos a chance de elaborar melhor as palavras e permitir que elas saiam no momento certo. O que quero dizer é que, na maioria das vezes, perdemos a chance de ficar calados.

Houve um tempo em que as pessoas se preocupavam com o que iam dizer. Pensavam, pensavam. Muitos, resolviam guardar para si. Lembro das inúmeras vezes que ensaiei fazer uma colocação durante uma aula; ensaiei contar algo a uma amiga; ensaiei conversar com a minha mãe. Hoje, as palavras estão perdendo o valor. As pessoas saem dizendo o que bem entendem. Não avaliam as consequências, só pensam em si mesmas. Vivemos um momento em que vale mesmo o que eu penso, o que eu quero, o que eu faço. Não importa o resto.

As redes sociais contribuíram muito para essa desvalorização da palavra. Os nossos pensamentos podem ser compartilhados com apenas um clique. Inclusive, isso gerou uma necessidade de publicar, escrever, de falar tudo que vier a mente. Mas, sinceramente, há tantas coisas sendo ditas e poucas com real valor. Pior, as pessoas deixaram de filtrar. A maioria não filtra nem o que lê nem o que fala. você tem mil palavras

Neste Natal, tente fazer esse exercício. Imagine que tem apenas mil palavras. Mil palavras para distribuir entre aqueles que você ama. Tente dizer apenas o que realmente importa. Leve em conta que a sua vida está em risco. Quando deixar escapar a milésima palavra, tudo vai chegar ao fim. Use-as da melhor maneira possível. Quem sabe, você possa fazer esse exercício todos os dias do ano. Eu já gastei 504 palavras hoje. Acho que muita gente vai ficar sem Feliz Natal.

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