As greves e o limite da liberdade

greves e liberdadeA nossa liberdade vai até onde começa a do outro. Lembro de ter aprendido isso na escola e nunca mais esqueci. Para mim, a ideia é que somos livres para tomar decisões e fazer o que bem entendermos, mas o nosso querer não pode transcender as vontades das outras pessoas. De certa forma, isso significa que não somos tão livres assim. A nossa liberdade tem limite e a medida é o outro.

Por conta disso, as greves me incomodam, sempre incomodaram. Eu entendo que os trabalhadores têm direitos e devem reivindicá-los. No entanto, quando as manifestações deles afetam a vida da população, isso não seria uma invasão de espaço? Por exemplo, a greve das universidades federais, em 2012. O movimento começou em 17 de maio e durou quase quatro meses. Das 59 universidades federais do Brasil, 57 aderiram à greve. Nesse meio tempo, quantos alunos foram prejudicados? Muitos deles encerraram o calendário letivo do ano passado apenas este mês. E quanto aos professores? Os projetos de pesquisa? Tudo parou.

Será que vale a pena passar por cima dos direitos dos outros para garantir os nossos? Isso é correto? Não sei dizer, cabe a cada um de nós refletir. É claro que, no caso das greves, existe uma infinidade de coisas em jogo. Os patrões que não cooperam e só pensam em si mesmos, o Estado que não garante direitos e não cumpre promessas. As reivindicações dos trabalhadores não costumam ser infundadas. E, muitas vezes, é a única forma que têm para conseguir o que precisam, o que de fato merecem. Mas e o resto? Também tem necessidades.

Quem paralisa deseja uma solução e quem é prejudicado pela greve, também. Ambos tentam se enquadrar em seu espaço, sem interferir na vida do outro. Porém, os grevistas, focados em seus desejos e reivindicações, acabam obrigando quem precisa de seus serviços a ter um comportamento cooperativo, compreensivo, tolerante. Entretanto, faz isso de forma unilateral. Não somos consultados. Ninguém pergunta: “eu posso fazer greve? Vai te prejudicar?” Nem daria para ser assim. Afinal, quem ia gostar de ter os serviços suspensos? Todos votaríamos pela comodidade individual. É complicado viver em sociedade. É difícil ter que pensar coletivamente. O fato é que ser livre não é apenas exercer as suas vontades ou olhar somente para o próprio umbigo. Ser livre é ser responsável, inclusive com o outro. É conhecer os limites e, principalmente, as necessidades alheias.

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