Drama de jornalista

drama de jornalista

Ela senta, levanta, morde o canto da boca. O tic tac do relógio incomoda, pressiona, quase enlouquece. O editor a observa com olhar pedante, quer a matéria agora. O que fazer se a fonte ainda não respondeu? Ela não sabe. Desespera-se.

Será que ninguém entende a diferença entre o tempo comum e o do jornalista? Ela não para de se questionar. As horas voam, os minutos correm e os segundos caminham a passos largos. As fontes que não respondem estão seguras em sua rotina. Atendem pacientes, vendem carros, julgam casos, trabalham. O jornalista? Implora por uma brecha em suas agendas.

O caso é que não há tempo. Cada instante é precioso para a criação. A moça precisa produzir rápido e precisa das fontes. Não há matéria sem que alguém explique o que acontece. Diferente do que muitos pensam, o jornalista não sabe de tudo, apenas encontra quem saiba. Pelo menos, tenta.

O prazo está acabando, o relógio se aproxima do final do expediente. Porém, ela não desiste, não pode, precisa continuar. Liga uma, duas, três, dez vezes. Tenta o fixo e o celular. Deixa recado, espera, tenta outra vez. Não pode deixar a casa cair, ainda vai fazer aquela matéria virar manchete do jornal.

Parte para o plano B, procura outras fontes. Corre pela agenda de A a Z. Nada. Ninguém pode substituir a fonte principal. Pense, pense, pense! O editor dá outra olhada e, dessa vez, pergunta sobre a matéria. Ele quer fechar o jornal. Três, dois, um… Acabou o tempo.

O expediente se foi. Trabalho, esforço, ligações intermináveis… Mas, para a jornalista, a sensação é de que nada foi feito; para o editor, a certeza é de que passou o dia à toa.

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