Nem mesmo as crianças estão livres

Nem as crianças estão livres

Passei em frente à escolinha e levei um susto. Desacelerei o passo e parei para dar uma olhada, custei a acreditar. As professoras dançavam, cantavam e incentivavam os pequenos a acompanhá-las. Animados, imitavam tudo. Impressionante como os adultos podem ter atitudes impróprias.

Penso que cada um pode e deve ouvir o que lhe convém. Se você gosta de pop, rock, sertanejo ou funk não faz diferença. Se gosta de sair todo final de semana, dançar até cansar e se divertir… Ótimo, essa é uma escolha sua. A questão aqui é que essas professoras estavam incentivando crianças a seguirem seus passos.

Um pedacinho da formação delas está sob responsabilidade das professoras. Crianças, inclusive, que foram deixadas ali por pais que confiam no trabalho da escola. E não imagino que algum curso de Letras ou Pedagogia tenha lhes ensinado que esse tipo de comportamento é aceitável. Não seria melhor que estivessem cantando algo mais educativo, produtivo e que se enquadrasse na faixa etária? Trabalhar com os pequenos, para mim, é entrar mais no mundo deles do que trazê-los para o nosso. Afinal, a infância é feita para ser vivida.

Quem já teve oportunidade de lidar com esses baixinhos sabe o quanto são “influenciáveis”. Afinal, os adultos são os heróis das crianças e o professor é visto como uma autoridade por quem têm enorme respeito. Eles repetem o que dizem, imitam, reproduzem… É uma festa. E, por isso, temos a responsabilidade de cuidar, verificar e nos certificarmos de que eles têm contato com coisas saudáveis.

Essas crianças escutam uma música que incita o sexo de forma banalizada, sem amor, sem compromisso e observam as professoras dançando. Por enquanto, não possuem ideia do que a letra significa e nem mesmo os gestos, mas o cérebro já começa a aceitar aquilo como normal, comum. O professor realmente deve tratar o assunto com naturalidade, mas não incentivar o sexo pelo sexo.

No dia seguinte, talvez tenham contato com uma nova canção e que talvez também fale sobre o sexo de maneira vulgar. Que tipo de influências esse tipo de música pode ter no pensamento dessas crianças? Eu não sou psicóloga e, portanto, não posso afirmar que seja realmente prejudicial. Porém, não acredito que possa trazer algo positivo.

Os pais acham bonitinho e, muitas vezes, até ensinam as músicas do momento para seus filhos. Acham engraçado o jeito que cantam, como dançam, os gestos… Mas, será que vão gostar dos filhos de 18 tratando as garotas como os cantores dessas músicas ensinam? Das suas filhas de 16 sendo colocadas na posição de objeto para o prazer?

A escola acumula uma série de responsabilidades que, na verdade, deveriam ser dos pais. Porém, acredito que alguns profissionais de ensino ainda não se deram conta do papel que assumem na situação. Não percebem que suas atitudes podem influenciar seus alunos. Os pais, mais ocupados com seu trabalho do que com sua família, entregam os filhos de bandeja e permitem que  valores sejam instituídos sem pudor.

Alô galera, to na área, 
Tudo pode acontecer, 
Vem lindinha, vem que rola, 
Só vai dar eu e você .

Daquele jeito, perigoso, 
Pronto pra terrorizar, 
No swing diferente fazendo, 
Bará, bará .

A gente junto, quebra tudo na balada, 
Só imagino que delicia a madrugada, 
É pra ficar na história o nosso amanhecer, 
Fazendo bará, berê!

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