A verdade verdadeira

a verdade verdadeiraQuando assisti ao trailer, não imaginava a profundidade de discussões que o filme traria. Claro, 172 minutos dentro de uma sala de cinema não é para qualquer um. Tem que ser amante de filmes ou, no mínimo, estar com bastante disposição mental.

Meia dúzia de atores desempenham diversos papéis. Os efeitos, a maquiagem, o figurino… Tudo foi muito bem feito. A atuação então, impecável. Mas confesso que não tinha fôlego para durar quase três horas. Além da viagem ter ficado um tanto confusa.

Tudo está conectado. Passado e presente são a ponte para construirmos nosso futuro. O primeiro pilar do filme abre um leque de discussões. Mas vou tratar desse ponto usando o pensamento de um filósofo, Mikhail Bakhtin. Antes, destaco uma fala que me chamou atenção:

Nossa vida não é nossa de fato. Do útero ao túmulo fazemos ligações com os outros.

Em linhas bem gerais, o que Bakhtin defende é justamente isso. Aquilo que pensamos, fazemos, somos está relacionado às nossas interações sociais, ou seja, provém do mundo externo. Ao longo da vida, conhecemos pessoas, experimentamos sensações, e vamos assimilando valores, ideias, comportamentos. E os nossos pensamentos de hoje são reflexos do que assimilamos anteriormente. Será que estamos prestando atenção nas relações que desenvolvemos? Nos caminhos pelos quais estamos seguindo?

Outro ponto do filme é a discussão acerca das diferenças entre os que vencem e os que perdem. O ser humano possui uma alma essencialmente competitiva. Queremos vencer a qualquer custo, quando nos dispomos a lutar por alguma coisa. Quem tem mais, costuma levar a vitória. Mais força, mais dinheiro, mais poder, mais inteligência, mais ambição. Do que somos capazes para conseguir o que queremos? Infelizmente, a lista não é das mais encantadoras. 

Eles têm fome no coração e ela é maior do que sua sabedoria.

É isso o que vemos diariamente. No trabalho, em casa, entre amigos… Temos fome. Uma fome incontrolável de vitória. Sentimos necessidade de nos mostrarmos melhores do que o outro, ganhar reconhecimento, prestígio, até fama. Ganhar, ganhar e ganhar. É uma fome que parte de dentro. Não sabemos onde começa e onde termina. Se é que tem fim. Por mais sensatos que pareçamos, por mais sábios que nos intitulemos, a fome está cravada em nosso peito, reflete em nossas atitudes.

Apesar disso, há esperança. Sempre há. Vivemos com a expectativa de que existe algo diferente, um mundo melhor nos esperando. Em algum momento, descobriremos que esse lugar cheio de seres humanos famintos nada mais é do que uma passagem. No filme, eles dizem:

A morte é só uma porta. Quando se fecha, outras se abrem.

Pouco sabemos sobre isso. Na verdade, não sabemos nada. Temos crenças, mas isso não significa que estejamos corretos. Para descobrir, só morrendo mesmo. Se existe uma porta que nos leva a um mundo diverso e que nos traz novas possibilidades, ainda não podemos ter certeza. A frase é forte. Mas… No que você acredita? A morte é mesmo uma ponte para uma nova realidade ou é o fim de tudo?

Somos uma gota no oceano. E o oceano é uma infinidade de gotas. – disse um dos personagens. Ao mesmo tempo que somos A Viagem minúsculos diante da multidão que nos cerca, do mundo que nos acolhe, do planeta que nos envolve; também somos gigantes quando unidos. Nossas forças somadas podem transformar, formar, construir e devastar. Pena não termos consciências coletivas. Somos individualistas demais para pensarmos de maneira macro. E, mais uma vez, há esperança. Nossas vidas e escolhas, cada encontro, sugere uma nova direçao possível. Ainda podemos mudar o rumo de nossas vidas. 

E quando tudo acabar. Quando não estivermos mais aqui. Outros poderão cometer os mesmos erros ou acertar na medida. Independente de estarmos vivos ou mortos, o medo, a fé e o amor são forças que permanecem após a nossa partida. Durante todo o filme, uma pergunta fica em minha mente: Qual é a verdade verdadeira? Depois dessa viagem, a única resposta que encontrei foi que o amor vai além da morte. 

Pequeno perguntou:

– Mas, quando tivermos morrido e partido, você continuará me amando, o amor continua?

Grande abraçou Pequeno carinhosamente enquanto contemplavam a noite, a lua na escuridão e as estrelas brilhantes.

– Pequeno, olhe as estrelas, como brilham: algumas já morreram faz tempo. Mas elas continuam brilhando no céu noturno, para você ver, Pequeno, que o amor, como a luz das estrelas, nunca morre…

Debi Gliori, Aconteça o que acontecer – via Harlan Coben, Não conte a ninguém  

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s